segunda-feira, 22 de junho de 2009

Diploma rasgado

Peço licença dos assuntos sobre a viagem para comentar algo que me deixou bastante indignado na última semana. Nossa suprema corte decidiu que para ser jornalista não necessita de diploma ou qualquer outra formação específica. Que o jornalismo pode ser exercido por qualquer pessoa, já que é algo previsto pela própria Constituição.

Bem.... Não me causou espanto essa decisão porque já era algo contado, desde quando eu entrei na faculdade de jornalismo, em 2001. Essa briga havia começado. De um lado o sindicado dos jornalista defendendo a categoria e do outro as empresas de rádio, tv e jornal impresso defendendo o direito de contratar quem eles quisessem e pagar o valor que lhe fosse mais conveniente.

O Grupo Folha, com seu curso de Focas, já fazia isso há anos. Para trabalhar na Folha, basta saber escrever, não importa se é médico, dentista, advogado ou se é porra nenhuma. Se escreve mais ou menos, pronto, você é um jornalista. Salário? Isso a gente discute depois, vai trabalhar agora porque o tempo urge.

Além da questão funcionário x empresa que se resume no custo benefício de se manter um jornalista, ao invés de contratar dois estagiários, assim como faz nosso glorioso Diário da Manhã, a questão do diploma vai muito mais além.

Você acha que a faculdade ensina a escrever, a pegar em uma câmera, a empostar a voz? Bem, até que deveria, mas isso é o que menos se ensina. Pelo menos na Facomb, da UFG, que é onde eu me formei, o que a gente mais fazia era discutir. Tinha discussão até para definir quem ia fechar a porta. Podia ser idiota, mas é nesse momento que entrava em pauta assuntos como política, temas sociais, manipulação da mídia. Aliás, esse é o principal.

Quando se vê uma decisão como essa e vários veículos assinando embaixo, defendendo a liberdade de expressão como liberdade de imprensa (Algo que nao tem nada a ver), dá para se notar que realmente conseguiram o que queriam: o leitor, teleespectador, ouvinte, não tem senso crítico para mais nada. Apenas aceitam o que está sendo dito. Uma imprensa sem garantias, sem força, sem bons profissionais é mais um passo para a total dominação do povo de um país.

O que está em jogo não é disputa de mercado para garantir vagas, até porque se um salário de jornalista hoje é menos que três salários mínimos, não serão muitos os que migrarão para esse nicho. O que está em jogo é a população ter a chance de ter em mãos uma imprensa que saiba ao menos o que está fazendo e transmita isso. Com um amontoado de profissionais, sem qualquer organização, coloca em cheque qualquer instância. O chamado quarto poder deixa de existir.

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